Notícias

Conselho da Europa acusa Polônia e Romênia de manterem prisões secretas da CIA

08/06/2007 | 832 pessoas já leram esta notícia. | 13 usuário(s) ON-line nesta página

A Polônia e a Romênia foram acusadas pelo Conselho da Europa de terem instalado centros de detenção às ordens da CIA, entre 2003 e 2005, com o conhecimento e autorização dos respectivos Presidentes.

"Há hoje elementos suficientes para afirmar que existiram centros secretos de detenção, geridos pela CIA, na Europa, entre 2003 e 2005, nomeadamente na Polônia e na Romênia", escreve o senador suíço e investigador especial do Conselho da Europa, Dick Marty, no seu segundo relatório sobre as actividades ilegais da CIA na Europa, apresentado hoje.

"Através das nossas próprias fontes — oriundas dos serviços secretos americanos e dos países visados — tivemos a confirmação, clara e detalhada, de que esses dois países abrigaram centros secretos de detenção no quadro de um programa especial da CIA, posto em marcha pela Administração americana após os atentados de 11 de Setembro de 2001", lê-se no relatório.

O mesmo responsável acrescenta que as informações sobre a Polônia e a Romênia são "corroboradas" pelos movimentos aéreos e por "diferentes fontes documentais".

Ainda de acordo com Marty, o ex-Presidente polaco Aleksander Kwasniewski, "conhecia e aprovou" o papel do seu país nas actividades secretas da CIA.

O ex-Presidente romeno Ion Iliescu terá negociado e assinado, no dia 30 de Outubro de 2001, um acordo com os Estados Unidos que previa "uma extensão do volume e do alcance das actividades americanas em solo romeno".

Comissão Europeia pede inquéritos independentes

Imediatamente após a divulgação do relatório, a Comissão Europeia pediu aos países acusados de colaboração com a CIA que levem a cabo "inquéritos imparciais" para averiguarem da veracidade das acusações.

"Sublinhamos que os Estados membros implicados devem levar a cabo inquéritos imparciais para apurarem a verdade", afirmou Friso Roscam Abbing, porta-voz do comissário da Justiça, Franco Frattini.

Bucareste e Varsóvia rejeitam acusações

Entretanto, Bucareste já rejeitou todas as acusações. "É lamentável que o investigador [Dick Marty] afirme que a Romênia 'acolheu prisões secretas'. Esse relatório, tal como o precedente, não mostra nenhuma prova que confirme as alegações, à excepção de 'fontes não identificadas', cuja credibilidade não pode ser avaliada", indicou o ministério romeno dos Negócios Estrangeiros em comunicado.

Varsóvia também já negou ter albergado prisões secretas da CIA. "A Polônia mantém a sua posição... Não houve prisões secretas na Polônia", afirmou um porta-voz do Ministérios dos Negócios Estrangeiros, citado pela Reuters.

Jerzy Szmajdzinski, que era o ministro da Defesa à altura das alegadas práticas ilegais, também já negou a existência das prisões, afirmando que o trabalho de Dick Marty é "ficção política". "É um desperdício de tempo e de dinheiro", afirmou Szmajdzinski, em declarações à Reuters.

A Polônia é um dos principais aliados europeus dos Estados Unidos, estando atualmente a negociar os termos de um acordo que permitirá a instalação de mísseis americanos em solo polaco, no âmbito do Sistema de Defesa Antimíssil norte-americano.

Fonte Publico.pt