Brasília - Mesmo com a previsão de uma colheita de 25 milhões de soja transgênica, o coordenador da campanha de engenharia genética do Greenpeace, o engenheiro agrônomo Ventura Barbeiro garante que os ambientalistas continuam contrários à liberação oficial da espécie.
De acordo com o ambientalista, a soja transgênica foi liberada para plantio no Brasil "pela via política e não pela via científica ou pela via da discussão junto à sociedade civil". Ele destacou que não houve "estudos de impacto ambiental nem dos efeitos na saúde humana". Ele lembrou também que no Brasil não existem estudos sobre o assunto e que nos Estados Unidos, eles provaram uma "tragédia ecológica".
Ventura Barbeiro explicou que o Greenpeace é contra a liberação de transgênicos no meio ambiente porque "depois você não consegue retirá-lo facilmente de lá". "Até o momento não há nenhuma prova de que a soja transgênica, ou outros produtos geneticamernte modificados, sejam essenciais para a humanidade. A experiência vem mostrando que os transgênicos não resolveram o problema da fome no mundo".
Barbeiro contesta as previsões feitas pelos produtores ouvidos durante o especial "Soja - um grande negócio", que a Rádio Nacional está apresentando, de que teremos metade da próxima colheita só de soja transgênica. "Com certeza a colheita não será nem de 20%, porque a produtividade com a soja transgênica é bem inferior à produtividade da soja convencional".
O coordenador informou que, independente da discussão, o Greenpeace vai reforçar a campanha de fiscalização da Lei de Rotulagem, que prevê que todo produto com pelo menos 1% de origem transgênica receba a marca "T" na embalagem e todas informações bem visíveis. "Isso vale, por exemplo, para o óleo de soja, a margarina ou bolacha que levam gordura hidrogenada de soja e até o chocolate que tenha lecitina de soja".
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