O ministro da Previdência Social, Luiz Marinho, assumiu o cargo com a promessa de dar continuidade ao trabalho que vem sendo desenvolvido, a exemplo do Fórum Nacional da Previdência Social, do Censo Previdenciário e da revisão das aposentadorias por invalidez. Ele ressaltou que aprofundará o novo modelo de gestão e que a valorização dos servidores é fundamental.
O novo ministro considerou a realização do Fórum como um dos desafios a enfrentar e informou que manterá o calendário de atividades. Procurou tranqüilizar os trabalhadores ao afirmar que não é necessário uma corrida às aposentadorias em função do Fórum, pois "queremos manter os compromissos dos contratos atuais".
Luiz Marinho disse ainda que concluirá o Censo Previdenciário com honestidade e transparência, dará seqüência à implementação de políticas de saúde e segurança do trabalhador e lutará para incluir os 30 milhões de trabalhadores que hoje estão à margem da Previdência Social.
Balanço - Durante o seu discurso de despedida, o ex-ministro Nelson Machado fez um balanço da sua administração, ressaltando que os trabalhos foram alicerçados na gestão, nas pessoas, nos processos e na tecnologia da informação.
Machado informou que, hoje, mais de 50% das Agências da Previdência Social funcionam mais de nove horas por dia, e que o atendimento remoto, por meio da central 135 e da Internet, retira das unidades de atendimento mais de trezentas mil pessoas por ano. "Em 2005, 95% dos requerimentos de auxílio-doença eram realizados nas agências, e hoje esse percentual é inferior a 30%".
Quanto ao Censo Previdenciário, Machado lembrou que já foram cessados mais de 42,7 mil benefícios, com ecnomia anual de R$ 225 milhões até o momento.
Currículo do ministro Marinho - O ministro da Previdência Social, Luiz Marinho, nasceu em Cosmorama (SP) , é casado e tem dois filhos. Bacharel em Direito, iniciou sua trajetória como metalúrgico na década de 70. Seu primeiro e único registro em carteira é de julho de 1978, data em que foi contratado para trabalhar na seção de pintura da Volkswagen de São Bernardo do Campo (SP), onde também começou sua carreira sindical como membro da CIPA, cargo para o qual foi reeleito na gestão seguinte.
Em 1984, foi eleito tesoureiro do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Nas gestões seguintes assumiu os cargos de secretário-geral e vice-presidente. Em 1996, foi eleito presidente do sindicato, cargo para o qual foi reeleito mais duas vezes (1999-2002 e 2002 até 2003). Em 7 de junho de 2003, foi eleito presidente da CUT - Central Única dos Trabalhadores, quinta maior central sindical do mundo, durante o 8º Concut - Congresso Nacional da CUT, com 74% dos votos dos delegados presentes.
Como sindicalista, destacou-se pela sua capacidade de negociador. Entre as principais ações sindicais que conduziu estão as campanhas contra as demissões em massa no setor automotivo em 1998, entre elas os 10 mil cortes anunciados pela Volks e os 2.800 da Ford. No início de 2001, assumiu duas lutas que extrapolaram fronteiras nacionais: em Miami, negociou com a direção mundial da Whirpool a extensão do prazo de fechamento da fábrica da Brastemp em São Bernardo; e, em Detroit, defendeu os postos de trabalho da Ford. Com a cúpula da montadora conseguiu garantia de emprego por cinco anos para os trabalhadores da unidade de São Bernardo e de quatro anos para os da unidade de Taubaté.
Marinho também é o principal responsável pela articulação de acordos setoriais, como o chamado acordo emergencial do setor automotivo, de 1999, e de projetos como o da renovação da frota nacional de veículos, idéias que apontam para o futuro e para interesses estratégicos da economia e do País.
A partir da compreensão de seu papel de cidadão, é também um dos idealizadores da Câmara Regional do ABC, um instrumento de articulação de políticas regionais, referência em todo o Brasil. O objetivo principal da Câmara é intervir junto aos poderes públicos e lideranças empresariais no sentido de sugerir medidas que revigorem a região como área industrial, geradora de empregos, combatendo a desigualdade, as carências em setores como saúde e moradia, e melhorando os índices de alfabetização da região.
Em julho de 1998, assumiu a coordenação do Mova - Movimento de Alfabetização Regional ABC, que nasceu de uma parceria entre o Sindicato e a prefeitura de Diadema, em 1995, e se espalhou por todos os municípios do ABC, onde já foram alfabetizadas mais de 77 mil pessoas. Foi presidente de honra da Unisol - União e Solidariedade das Cooperativas do Estado de São Paulo, hoje Unisol Brasil, criada única e exclusivamente com o objetivo de fomentar a criação de alternativas de economia solidária destinadas à geração de emprego e renda. Atualmente, a Unisol Brasil reúne 180 empreendimentos solidários e conta com cerca de 8 mil cooperados.
Em 2002, Marinho foi candidato a vice-governador do Estado de São Paulo, na chapa encabeçada por José Genoino, do Partido dos Trabalhadores. Entre 2003 e 2004, nomeado presidente do Consea - Conselho Nacional de Segurança Alimentar, foi responsável, entre outros projetos, pelos estudos que orientaram os investimentos oficiais no crédito à agricultura familiar.
Entre os reconhecimentos públicos, coleciona o Prêmio Destaque do Ano de 1999, concedido pela revista Livre Mercado, e foi apontado pela CNN-Time como uma das 50 lideranças latino-americanas para o novo milênio. Como presidente nacional da CUT, entre outras iniciativas, conduziu as negociações voltadas para a implantação do crédito consignado - fator estratégico na expansão no barateamento do crédito para os trabalhadores. E, junto com lideranças de todas as centrais sindicais do país, iniciou, em 2004, a luta pela recuperação do salário mínimo e pela formação da Comissão Quadripartite encarregada da formulação de política para recuperação no longo prazo do poder aquisitivo do salário mínimo.
Em 2005, como ministro do Trabalho, cargo que assumiu em 12 de julho daquele ano, Marinho comandou uma negociação histórica com representantes de todas as centrais sindicais para definir o valor do salário mínimo de 2006. Depois de várias reuniões, chegou-se a um consenso e o piso nacional passou de R$ 300 para R$ 350 - o que representa 13% de aumento real, ou seja, já descontada a inflação do período, o maior índice alcançado desde 1995 - e a antecipação do reajuste para abril. (ACS/MPS/MTE)
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