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O consultor de investimentos do Fundo de Pensão dos

31/01/2006 | 4230 pessoas já leram esta notícia. | 29 usuário(s) ON-line nesta página

Funcionários Públicos Federais (Geap) César Buzin afirmou que a entidade não detectou nenhuma irregularidade nas operações processadas com os recursos que administra. Diante de levantamentos da Sub-Relatoria de Fundos de Pensão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, perante a qual depôs nesta manhã o consultor, ele afirmou que "de agora em diante a fundação vai aprofundar as discussões internas" para prevenir irregularidades e apurar as suspeitas levantadas pela CPMI.
O consultor deu explicações sobre as perdas de aproximadamente R$ 24,8 milhões do fundo em operações no mercado de derivativos da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). Ele negou que o fundo tenha sofrido perdas desse valor e que as operações foram consideradas normais pela diretoria da Geap.

Recursos terceirizados
O depoimento de Buzin não estava programado e o consultor compareceu apenas para dar suporte ao diretor de Administração e Finanças do Geap, Josemar Pereira dos Santos, que também depôs hoje. Para valer-se dos conhecimentos de Buzin, o sub-relator de Fundos de Pensão, Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), sugeriu que ele fosse ouvido, o que foi possível por não haver oposição nem dos integrantes da CPMI, nem do próprio consultor.
Buzin afirmou que 65% dos recursos administrados pelo Geap são terceirizados. "São fundos exclusivos administrados por seis grandes bancos (Itaú, Banco do Brasil, Bank Boston, Pactual, Safra e BNB). Os outros 35% são geridos pelo próprio Geap", esclareceu. O consultor disse ainda que a partir de 2002 os investimentos foram sendo revertidos para títulos públicos de longo prazo, por vantagens que passaram a ser oferecidas nesse tipo de operação, e que o processo de transferência foi gradual e obedeceu a estudos para garantir a segurança e o equilíbrio atuarial do fundo.
Magalhães Neto encontrou mais irregularidades em operações com fundos exclusivos, que, apesar de estarem agora restritas a apenas seis bancos, já estiveram diluídas em várias instituições, inclusive o Banco Santos.

Operação suspeita
O deputado citou operação de um fundo exclusivo do Geap, realizada em 2003, em que teriam sido vendidos 5 mil títulos por meio da corretora Tusa, predecessora da Euro Distribuidora de Títulos Imobiliários na gestão dos recursos do fundo. Esses títulos teriam sido revendidos para a corretora Brasil Central e, no mesmo dia, para o Fundo de Pensão dos Funcionários da Terracap do Distrito Federal (Funterra), com lucro de R$ 1,23 milhão.
Buzin afirmou que "não há parâmetros" para assegurar que a Geap tomou prejuízo na operação. Ele advertiu para a possibilidade de o Funterra tê-los comprado acima do preço de mercado. Magalhães Neto rechaçou essa hipótese e alegou que já foi verificado que o preço pago pela Funterra é compatível com a avaliação dos papéis na época.
Josemar dos Santos admitiu que o fundo é responsável por operações realizadas por intermédio de corretoras. Já Buzin afirmou que o fundo não pode ser responsabilizado de acordo com regras da Comissão de Valores Imobiliários (CVM) se o gestor infringir a política de investimentos estabelecida pelo fundo.

Concentração de perdas
Antonio Carlos Magalhães Neto disse, após ouvir os depoimentos dos representantes do Geap, que integrantes da CPMI desconfiam da concentração de perdas do fundo em operações financeiras geridas por algumas corretoras, como a Bonus-Banval. Para o deputado, essa tendência poderia indicar que recursos dos fundos estariam sendo desviados por intermédio de corretoras.
O sub-relator afirmou que, considerando o total das operações, os fundos podem não ter apresentado prejuízos, mas alguns ganhos obtidos em operações podem ter sido absorvidos por perdas forjadas em outras operações. "Nós não estamos investigando prejuízos, mas as perdas verificadas em operações dos fundos de pensão", ressaltou.

Fonte Agencia Camara