Servidores do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) em greve terão os salários cortados pelo segundo mês consecutivo, segundo dirigentes da Cnasi (Confederação Nacional das Associações dos Servidores do Incra). A assessoria do instituto confirmou o corte nos pagamentos dos grevistas por determinação do Ministério do Planejamento e do Palácio do Planalto.
A secretária de Comunicação do Cnasi, Vera Lucia Martins Ramos, disse que os grevistas tiveram acesso à folha de julho, com pagamento previsto para 2 de agosto, e os salários estavam zerados. No dia 3 de julho, os servidores em greve já não tinham recebido os vencimentos referentes a junho.
Segundo Vera, o corte atinge 70% dos 6.100 servidores do Incra em todo o país.
Apesar da confirmação do corte, a assessoria do Incra explicou que o Ministério do Planejamento ainda negocia com os servidores grevistas.
O corte nos salários não intimidou os grevistas, que confirmam a manutenção da paralisação. "Vamos continuar em greve, pois não chegamos a uma negociação que dê confiança para suspender a greve. Espero que o governo sinalize com algo que nos dê confiança", afirmou Vera.
Na semana passada, em reunião no Ministério do Planejamento, os grevistas tentaram fechar um acordo com o governo, mas rejeitaram a proposta do presidente do Incra, Rolf Hackbart. Na ocasião, ele disse que não cortaria o ponto dos grevistas se eles decidissem suspender a paralisação e retornar ao trabalho.
Vera disse ainda que a direção do Cnasi vai se reunir com os advogados da instituição para discutir as medidas judiciais que serão tomadas. A secretária não descartou a possibilidade de o Cnasi entrar com novas ações na Justiça contra a decisão do governo em cortar os salários.
Os grevistas já entraram com ações na Justiça Federal, mas o TRF-1 (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região suspendeu a liminar que mantinha o pagamento dos salários dos funcionários do Incra de Brasília.
Os servidores estão em greve desde 21 de maio e reivindicam a reestruturação do plano de cargos e salários, contratação de funcionários, além da inclusão efetiva da reforma agrária e a retirada do projeto de lei que limita por dez anos os reajustes salariais dos funcionários públicos.
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